domingo, 28 de dezembro de 2014

Em Algum Lugar do Passado (livro)



Em Algum Lugar do Passado

Ótimo livro. Tem seus altos e baixos, mas a escrita é sensacional e mesmo sendo muito detalhada em alguns momentos, acaba se tornando bom de ler, inclusive para quem não curte muitos detalhes, como eu.

O livro tem textos de introdução e encerramento nas palavras do irmão do personagem que narra os fatos. O autor cria uma espécie de ficção com sensação de realidade. O irmão então explica quem foi seu irmão (o protagonista) e diz que decidiu lançar seu diário, editando algumas partes. Daí começa a história, sobre um dramaturgo com pouco tempo de vida que decide aproveitar a vida antes de morrer. Numa de suas hospedagens em hotéis, ele acaba se apaixonando pela fotografia de uma atriz pendurada na parede. Ele então começa a procurar sobre ela até ficar paranoico, querendo voltar no tempo e encontrando supostas provas que confirmavam que ele havia voltado no tempo. E consegue. Seu objetivo, além de conquistar a mulher que ama, é mudar o futuro dela, terrível e macabro.

Os momentos são únicos. A história não vai logo pro passado, tem coisa pra acontecer antes. Primeiro Richard precisa arranjar um meio de voltar no tempo, depois fazer testes e assim tentar voltar. A cada momentos vamos acompanhado os passos do dramaturgo, cada vez mais fanático e doente por um amor 'impossível'. Depois de tudo resolvido, Richard volta pro passado completamente. Parte do livro já se foi, mas ainda há muito conteúdo pela frente. E é maravilhoso. Ele tenta de tudo pra conquistar sua amada, Elise, que nem o conhece. Ela começa a achá-lo estranho, sua mãe não gosta dele e um homem que cuida da carreira da atriz tb não. As coisas começam a sair do controle, mas Richard é perseverante e continua tentando. Acompanhamos os momentos de romance e os feitos de Richard pra continuar naquele local, escondendo ao máximo de onde veio e enfrentando problemas da época. Qualquer coisa pode acabar fazendo com que ele volte pro seu tempo de origem, o que ele não quer.

Apesar de algumas cenas de melodrama, a maioria é tranquila, dá pra deixar passar e até se envolver. Mas o livro não é feito apenas disso. Richard tem uma vida e tem que aprender a viver naquele local. Momentos de tensão tb estão inclusos. Pela história se passar em poucos dias, soa como justificável a ausência de desenvolvimento de alguns elementos que a história inclusive chega a citar.

Dentre toda a maravilha do livro, uma história mágica que prende a atenção em sua maior parte do tempo, há algumas falhas que, apesar de falhas, não atrapalham muito na história. Uma são a minoria das cenas com melodrama, que soam enroladas, e outra é o fato da história ser escrita como diário, sendo que em diversos momentos parece um livro redigido e pensado. Embora o livro mesmo tente resolver esses pontos usando desculpas aceitáveis, é algo que deve ser citado.

Em relação ao filme, o livro é melhor, mas o filme ainda assim é excelente. As mudanças funcionam e a história não perde toda sua essência, com momentos fiéis até. Muda mais esse contexto do irmão do protagonista (que não tem no filme) e as dúvidas sobre o cara ter voltado ou não no tempo. No livro isso é mais abrangente, já no filme não. O paradoxo do relógio não existe no livro, mas gostei disso no filme. Os finais são semelhantes, mas o livro conta coisas que aconteceram no fim que o filme não conta. Recomendo tanto o livro quanto o filme. É uma daquelas obras tão marcantes que a gente confere e nunca mais esquece.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Operação Big Hero

[Crítica descontraída inspirada num comentário que fiz no Face. Espero que gostem.]


Operação Big Hero

Filmão! Que Frozen que nada, o negócio é Big Hero 6! Animação da Disney com parceria da Marvel. Trata sobre uns personagens da Marvel poucos conhecidos. É inspirado em hqs, mas teve mudanças devidos a direitos autorais (para quem não sabe, a Marvel possui seus direitos no cinema divididos com a Fox e a Sony, o que impede o aparecimento de alguns personagens). Continuando.

O filme conta a história de Hiro Hamada, um garoto gênio que ganha do irmão Tadashi um robô-médico. Ele acaba conhecendo os amigos do irmão e decide estudar no mesmo lugar que eles estudam. As coisas complicam durante uma exposição, onde a invenção do garoto é roubada e usada pelo vilão misterioso do filme. A partir daí, Hiro transforma Baymax, o robô-médico, em robô lutador e cria trajes de combate pra todos virarem heróis. Tem umas reviravoltas mas quero manter o segredo, revelando o mínimo de informações possíveis. Sem spoilers. Dá pra ter noção do que se trata o filme. O filme se passa em San Fransokyo (San Francisco + Tóquio).

É tudo muito bom. A animação já te empolga desde o início e dá pra sentir a história crescendo cada vez mais, com desenvolvimento sem enrolações, indo direto ao ponto. Quando o vilão surge, já tacam na cara do público. "É o cara misterioso e perigoso, quem será?". O ataque começa e não há conversinha, é partir pra ação na hora! E que ótimas cenas! Divertido pra caramba! Comédia e ação se unem em momentos únicos.

A história é de qualidade, simples e direta. Soa clichê inicialmente, mas quem evitou buscar informações do filme, poderá se surpreender bastante com os acontecimentos. Não serei chato e dizer que há uns pequenos problemas de roteiro, até pq é um filme infantil bem feito com objetivo de divertir o público. E conseguiu! Leve isso em conta quando assistir, seja uma boa pessoa.

Personagens carismáticos e apetrechos interessantes e "maneiros" tornam tudo melhor. Incrível como misturam ciência e tecnologia no filme pra construir os uniformes dos heróis. Tem um que cospe fogo, uma que lança bolinhas com elementos químicos, e por aí vai. O robô rouba a atenção do filme por tentar ser dócil mas estar programado para lutar tb. Seu visual marshmallow e diálogos ajudam.

Enfim. É isso. Quero continuação e série já!

3D bonzão, vale a pena.

Nota 9/10

- Sim, tem participação do Stan Lee no filme.

- Antes do filme foi exibido o curta "O Banquete". Conteúdo inesperado.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Deus Não Está Morto



Potencial desperdiçado, forçações e possíveis estereótipos fazem do filme algo mediano, mas felizmente há seus valores.

Esse é um daqueles filmes que gera fácil uma grande crítica, mas vou fazer apenas alguns [grandes] comentários. Primeiro devo ressaltar algo que o filme meio que engana quem quer assistir com certo pensamento: O garoto não tenta exatamente provar a existência de Deus, e sim dizer que seu professor está errado ao dizer que Deus está morto. Pode soar confuso para alguns, mas não é.

Vou resumir tudo em quatro pontos:

1 - Filme de cristão pra cristão. ~ Diferente do esperado, ele não acolhe o lado ateu ou de outras religiões para assim começar o debate. O tempo todo o foco é cristão. Mas ora, por parte, é exatamente isso, é um filme gospel e filmes gospel tem foco cristão, só que por outra, erra em si mesmo ao tratar de um tema desse nível sem se aprofundar. Explicarei mais no ponto a seguir.

2 - Deus está morto! Não, Deus não está morto! Deus está vivo! ~ Ateu ou não, a pessoa que se interessar por esse filme vai ser pelo mesmo motivo: O garoto cristão que é desafiado pelo seu professor ateu a provar a existência de Deus. Independente do resultado final, é de extrema importância fazer com que tais momentos sejam interessantes e com propostas válidas. Sim, o filme consegue manter o nível de interesse alto durante esses momentos, ou pelo menos, em parte deles. O garoto se utiliza de pensamentos dos próprios filósofos e cientistas que o professor tanto admira por serem gênios e ateus. Ótimo, isso torna tudo muito mais interessante. O garoto, ainda em fase de conhecimento, perdendo e o professor, já experiente no assunto, ganhando. Melhor ainda, curiosidade a mil. Se levarmos em consideração que o filme é sobre um garoto de pouca experiência que busca provas e um professor profissional no ramo que se utiliza de tudo o que já presenciou e conhece, dá pra entender o motivo do filme não entrar a fundo em alguns aspectos, dando respostas simples. Vi muitos reclamarem que os argumentos são ruins e fáceis de serem derrubados. Concordo em parte, tanto que o professor derruba fácil alguns argumentos, mas o garoto tenta dar a volta por cima contra-argumentando. A proposta, como disse, não é provar a existência de Deus, e sim dizer que Deus não está morto. O garoto não se utiliza de argumentos cristãos, e sim de gênios e filósofos, e apenas usa a Bíblia para comparar fatos. O grande ponto foi o fim do debate, que, apesar do momento intenso, acabou se aproveitando de outras situações, o que provavelmente anularia a si mesmo, mas a questão fica em aberto. Não acho que há uma ignorância de tudo o que foi construído, e sim uma forçação por parte do roteiro pra que tudo terminasse a favor do garoto. Mas pera, não terminou o filme.

3 - Estereótipos, preconceitos e clichês, entre a verdade e o exagero. ~ Como explicar a cena do cara que caça patos mas por ser cristão tá de boa? Cúmulo. Só pq uma pessoa é cristã não significa que ela possa fazer o que bem entender só pq acredita em Deus. E a do pastor que não consegue nunca ligar um carro pq misteriosamente qualquer carro que ele tenta não liga e só consegue resolver isso com fé? Esse nem prefiro comentar, perda de tempo precioso do filme. Agora o que muitos incomodaram foi com a garota muçulmana que desacreditava na religião de sua família e acreditava em Deus, mas da forma evangélica. Bom, não sei qual foi o objetivo do filme, pode ser tanto ofensivo quanto um modo de dizer que mesmo vc pertencendo a outra religião, vc pode mudar. E por fim temos o ateu arrogante. Nem todos são daquele jeito, mas o que percebi é que muita gente reclamou do filme mostrar os ateus daquele modo. Bom, existem sim muitos ateus como o professor, mas o estranho é o filme não mostrar ateu que respeite o pensamento do cristão. E tb tem o fato de mostrar todo cristão como alguém bonzinho. Sabemos que tem muita gente por aí que se diz cristã mas na verdade não é. Por último cito a reviravolta no final do filme, momento pós-debate, novos cristãos, show, etc. Apenas cito mesmo, pq fiquei em dúvida sobre opinar sobre... aquela cena. Forçado foi, e muito, muito mesmo, mas novamente fico naquela de que pode ser preconceito ou apenas tentaram mostrar que tudo pode acabar a qualquer hora.

4 - Histórias paralelas descartáveis. ~ O objetivo do filme não seria mostrar o garoto que foi desafio por seu professor a provar que Deus não está morto? Então pq um monte de outras histórias só pra mostrar algo com mensagens "bonitinhas" no final? Se essas histórias pelo menos fossem de qualidade, deixaria passar, mas entra em problemas como citado no ponto 2. De longe o melhor desses personagens é o amigo do pastor, que tem mais fé que o próprio pastor. Sempre descontraído e dizendo coisas como "Deus é bom o tempo todo. O tempo todo Deus é bom". O encontro entre essas histórias tb não são das melhores. Tirando a cena em que o pastor encontra o garoto e uma lá pro final do filme, o resto acontece de forma comercial. Não entendeu? Pros últimos minutos do filme, há uma cena em que alguns dos personagens se encontram (não que isso não acontecesse durante o filme, até pq acontece, mas to indo mais a fundo). E esse encontro é... não sei nem explicar. É como se tivessem preparado tudo pra um momento que mais parece uma propaganda. Se estou equivocado, no mínimo é uma cena forçada e clichê daqueles de nível 'só acontece em filmes'.

Não sei se esqueci de algo, mas concluo temporariamente minha avaliação sobre o filme. Não quis entrar em pontos comuns sobre atuações, trilha e tal pq achei todos esses quesitos tranquilos, normais, não me incomodou em nada. Apenas citei o roteiro, seus defeitos e suas qualidades.

O que achei do filme? Mais ou menos. Pelo menos tem umas frases legais.

Soube que vai ter continuação. Fico no aguardo, mas espero que dessa vez façam algo melhor. Sério, bota o garoto como alguém formado e experiente no assunto que é desafiado mais uma vez e assim surge um debate. Seria tudo o que esse filme prometeu e esqueceu de fazer.

Nota: 6/10 (embora esteja com dúvida da nota exata)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

[KOKYO] Battle Royale (filme)



 Battle Royale (filme)


Atenção: Battle Royale é um filme de teor violento. Fica o aviso.

Battle Royale é um filme japonês de 2000 baseado no livro de mesmo nome, de 1999. Na história, 42 estudantes do nono ano de uma escola, na faixa dos 15-16 anos, são convocados para participar do Ato BR, feito pela Grande República do Leste Asiático (como um Japão ditatorial), que consiste em colocar todos esses estudantes para se matarem num local fechado. Na edição presente no filme, o local é uma pequena ilha. Com regras e objetos, eles tem que matar uns aos outros até restar um, antes que o tempo acabe.

A violência está presente em todo momento do filme. Logo no início, vemos o governo capturando os alunos. Ao chegar na ilha, as primeiras mortes começam a ocorrer. E isso antes do "jogo" começar!

Como expliquei na crítica do livro, há regras. Os estudantes recebem um kit de sobrevivência, onde contém um objeto que será a arma da pessoa. Pode ser desde uma pistola ou metralhadora a simplesmente um leque ou binóculo. Os estudantes também possuem um colar no pescoço, que rastreia seus movimentos e explode caso esteja num quadrante proibido. Sim, há quadrantes proibidos, que aumentam cada vez que o jogo continua. O tempo limite são de 3 dias para sobrar apenas um, caso contrário, todos morrem.

Como era de se esperar, adaptar mais de 600 páginas num filme de duas horas acabou deixando ele corrido demais. Para alguns, isso é ótimo. Para outros, nem tanto. Mas vou discutir isso depois.

As atuações estão na média. Por ter uma quantidade significativa de personagens, precisaram contratar diversos atores, a maioria novatos, o que rendeu algumas atuações boas, outras não. Os mais famosos ficaram nos papéis dos personagens principais. Tatsuya Fujiwara faz Shuya, o personagem principal da história, um estudante que não quer participar daquela loucura. O ator fez o papel de Light Yagami, de Death Note, e de Makoto Shishio, de Samurai X. Aki Maeda faz Noriko, a personagem delicada amiga de Shuya. A atriz fez o papel de Chise, de Saikano. Outro é Taro Yamamoto, que faz o papel de Shogo, misterioso estudante que havia sido transferido para aquela turma. Por fim, temos Takeshi Kitano, que interpreta o sensei Kitano, que cuida e organiza os jogos para aquela turma, em busca de vingança com o que aconteceu no passado. Há muitos outros personagens, mas falar de cada um deles demoraria, e muito.

Durante o filme, os três personagens se unem para buscar um meio de fugir da ilha, que é considerado impossível. Na verdade não só eles como muitos outros. Enquanto uns ficam na sua, matando todos, outros formam grupos, que se dividem em grupos que aceitam qualquer um, grupos que avaliam a pessoa antes de aceitar e grupos que não querem saber de mais ninguém. A mente humana é posto a prova em todo momento, afinal, ninguém é confiável e o estudante sabe que terá que matar o próprio amigo para sobreviver.

Por ser muito corrido, o filme não se aprofunda como deveria e as cenas se tornam puras cenas de massacres e sobrevivência, mas ao mesmo tempo não se rebaixa a algo gratuito, tendo todo um sentido para os acontecimentos. Algo visualmente atraente e terrível, com mortes e sangue para todos os lados. A ação é frenética, qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento, qualquer um pode morrer, independente da suposta importância da pessoa para a trama, é difícil imaginar o que virá a seguir, é morte atrás de morte, perseguição atrás de perseguição, adrenalina pura.

O desenvolvimento é bem feito. Cada vez que o número de estudantes vivos diminui, as coisas tendem a ficarem mais sérias. Acaba seguindo fielmente algumas cenas do livro, já outras modifica algumas coisas devido a cortes, embora tenha mudanças desnecessárias.

O filme como filme, é ótimo. Possui defeitos, mas nem por isso deve ser ignorado. Para quem quer algo mais pesado, mas que ainda tenha um nível máximo de violência e que tenha sentido nas ações, é altamente recomendado. O filme como adaptação, é bom. O grande problema é a mudança da essência de alguns personagens (inclusive tem personagem que é trocado no filme por outro que não tem no livro). Todo o papo de política, revolta, música, amor e cotidiano somem e dão lugar a rápidas conversas e muita ação. De qualquer forma, Battle Royale é um filme que merece ser assistido.

Curiosidade: Quentin Tarantino, famoso por dirigir filmes como Kill Bill, Pulp Fiction, Cães de Aluguel e Sin City, elegeu, em 2009, o filme como o melhor que ele tinha visto. Embora seja algo em constante mudança, foi um marco que fez o filme se tornar mais famoso por aqui.

Nota: 9/10

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 12 de novembro de 2014~

[KOKYO] Battle Royale (livro)



 Battle Royale (livro)

Aviso: A crítica trata sobre um livro que, apesar de clássico, é considerado violento e polêmico (embora possamos desconsiderar [pelo menos em parte] essa 'polêmica' nos dias de hoje). Embora o livro evite pegar mais pesado em assuntos além de mortes de formas cruéis, a leitura do livro não é aconselhável a todos. A da crítica sim, para quem está curioso, não detalhei nada, então fiquem tranquilos que não tem nada de cabeça explodindo e miolos voando. Não aqui na crítica.

"Que isso? Jogos Vorazes japonês?", perguntam as pessoas que não fazem ideia do que é essa belezura. Não, Battle Royale foi escrito mais de uma década antes e deixou sua marca até antes de ser publicado. Nada de comparações, por favor (embora 99% das pessoas que leram as duas obras prefiram Battle Royale). Mas vamos prosseguir com a crítica.

Lançado em 1999 no Japão, Battle Royale é um livro de enorme sucesso (e polêmica) escrito por Koushin Takami. Com o sucesso, surgiram mangás e filmes. Os mais famosos foram lançados em 2000, que são adaptações do livro. São eles: Uma série em mangá, que totalizou 15 edições, encerrando em 2006 (mesmo ano que iniciaram as publicações no Brasil), e um live-action, que chegou a ser bastante elogiado por Quentin Tarantino em 2009 como 'o melhor filme que ele já tinha visto'.

Depois de lançados o mangá, em 2006, e o livro, em 2007, no Brasil, restava chegar o livro. E eis que em 2014 a Globo Livros realizou o sonho de muitos fãs e também de pessoas curiosas em relação a comparação com Jogos Vorazes, devido a pontos semelhantes, embora as obras sejam diferentes entre si (a Suzanne Collins jura que não se inspirou no livro, sequer leu). Que seja. Battle Royale é um tijolo, são 664 páginas de muita tensão, reflexão e violência. É uma mistura de gêneros incrível, temos ação, drama, romance, suspense, horror, entre outros, tudo em uma única história de tirar o fôlego.

Vale citar que em 1997, Koushin Takami já havia escrito Battle Royale e participou do Japan Grand Prix Horro Novel, mas foi desclassificado na final devido ao conteúdo polêmico da história. Mas afinal, o que tem de tão polêmico assim? Simples: Há adolescente se matando e o Japão é um país socialista totalitário. Se isso não bastasse, a violência é forte, embora Takami afirma que "pegou leve" se comparado a realidade.

O livro conta a história da turma B do nono ano da Escola Fundamental Shiroiwa da Província de Kagawa, que, com seus 42 estudantes, acaba sendo escolhida pela Grande República do Leste Asiático para o "Programa", o "Ato BR", onde um deve matar o outro até sobrar um único sobrevivente. Na história, a turma é posta numa ilha e cada um recebe um kit de sobrevivência, onde as armas podem variar absurdamente. Imagine comparar um papel com uma bazuca? É por aí. Mas prosseguindo. Pra piorar, os alunos possuem uma coleira presa ao pescoço, com um rastreador. Se tentar retirá-la, ela explode, matando o portador. E você acha que isso é tudo? Há ainda os quadrantes proibidos. Caso alguém esteja nele a partir da hora enunciada, o colar também explode. Mas espere, isso não é tudo. Os alunos tem 48 horas para se matarem até sobrar um, caso contrário, todos morrem. E se você acha que isso tudo já é demais, coitado, há mais, mas vou deixar para quem ler o livro descobrir.

O governo japonês do livro faz isso basicamente para "mostrar quem manda" e evitar que rebeldes surjam, mostrando uma matança entre adolescentes de 15 a 17 anos em geral, causando assim um enorme medo na população. E o Programa é o 'programa perfeito', tudo muito bem organizado para que não haja falhas. Ou seja, caso você esteja no nono ano, sua turma for escolhida e você parar no campo de batalha, é impossível escapar. Se quiser sobreviver, vai ter que matar seus amigos e colegas de classe.

Apesar da história mostrar o ponto de vista (em terceira pessoa) da maioria dos 42 estudantes, e apresentá-los um por um, uns mais outros menos, temos nossos personagens principais, que são três estudantes: Shuya, Shogo e Noriko. Shuya e Noriko são amigos, já Shogo é um misterioso aluno transferido. Eles acabam se unindo durante o jogo para sobreviverem juntos. Mas o livro não se prende apenas a eles. Como eu disse, os outros alunos tem seus momentos, o que nos ajuda a entender as motivações de cada um.

Devo avisar que o livro possui flashbacks sobre o passado dos personagens antes do 'jogo', que ajudam a entendê-los e são bons de ler em sua maioria. Entenda como algo positivo e bem utilizado. Em alguns casos, importante para a história.

A história já começa com os alunos indo para a ilha, porém, para eles, eles estão apenas num passeio escolar, até que o ônibus é 'atacado' e eles acordam numa sala onde um representante do governo nos jogos explica a situação e as regras. Esse primeiro momento pode ser cansativo para alguns, já que o livro começa a explicar os personagens, contar suas histórias, etc. Confesso que me entediei um pouco em alguns momentos, mas é passageiro (com perdão do trocadilho aos estudantes no ônibus). Depois que eles são capturados, as coisas melhoram. Quando o jogo começa, melhora mais ainda.

A cena da explicação do jogo já mostra o potencial da loucura que o ser humano pode ir e o nível da violência que tem a oferecer. É coisa de doido, só lendo mesmo. Passada as explicações e as confusões, o jogo tem início. 'É aí que o bicho pega', com os estudantes correndo para a floresta desesperados e sem acreditar no que está acontecendo. Muitos vão logo conferir suas armas, desde armas de fogo a simples objetos.

Além da introdução, do prólogo e do epílogo, a história é dividida em 4 partes. A primeira apresenta os nomes dos personagens, explica as regras do jogo e mostra as primeiras mortes, no meio ao caos. A segunda mostra as mortes que ocorrem logo depois, quando os alunos já estão começando a se adaptar a situação. A terceira mostra as últimas mortes, quando poucos restaram. A quarta encerra a história, e prefiro não comentar muito sobre o final, vou deixar para quem ler tirar suas conclusões. Sim, o final agrada e surpreende.

Além das surpreendentes e violentas cenas de luta, que são muitas, o livro também possui bastante diálogo. Bastante mesmo. Porém não pense como algo ruim. Assim como os flashbacks funcionam em sua maioria, os diálogos são ótimos tanto para 'passar o tempo' quanto para entender o ponto de vista dos personagens. Há momentos em que eles estão conversando sobre o jogo, sobre política, sobre o futuro, sobre música, sobre amizade, sobre o passado, sobre amor, sobre tudo que pessoas normais conversariam. Os personagens podem até soar maduros para suas idades, mas isso não se torna estranho no contexto. E tenho que admitir: Takami soube fazer diálogos bastante envolventes. Dá pra perceber claramente o que o personagem está sentindo no momento e sua visão sobre o temas. Bons diálogos, boas cenas de luta, boa história. O que mais poderia pedir?

O foco aqui é a sobrevivência. Até onde o ser humano pode ir para sobreviver numa situação como essa? Pra que formar amizades se no fim só pode restar um? Como confiar em alguém se todo mundo é suspeito, incluindo seu amigo? O que acontece com a cabeça de alguém que não resiste psicologicamente a situação? São perguntas que o livro tenta responder. A violência é totalmente aceita e se encaixa perfeitamente na história, não é algo apenas para divertir o leitor de qualquer forma, tem uma essência mais profunda, tem um sentido, uma lógica por trás dos atos, concordando ou não com ela.

Battle Royale é uma história inesquecível, com acontecimentos inesperados onde qualquer um pode morrer a qualquer momento, até mesmo aquele personagem que a história está acompanhando passo a passo. O virar da folha se torna emocionante e cada morte impactante. Abordando temas sobre cotidiano, humanidade e política, Battle Royale se tornou um clássico que deve ser lido com cuidado. Sua violência é justificável e tenta responder as dúvidas que muitos já se perguntaram sobre sobrevivência. Fica a dica de um dos melhores livros já escrito e que merece mais reconhecimento.

Resta citar que a edição brasileira do livro é toda trabalhada. Há detalhes em alto relevo por todo o lado de fora do livro e nas 'orelhas'. Há também, atrás da capa e contra-capa, o mapa da ilha com a listagem de quadrantes proibidos e suas respectivas horas. Antes da história, temos uma lsta de chamada dos estudantes, uma citação de um livro do George Orwell, algumas frases diversas e a melhor dedicação que um livro poderia ter: "Dedico este livro a todas as pessoas que amo. Embora duvide que elas me agradeçam por isso". Simplesmente incrível. E se você que não leu o livro não estiver convencido de que é bom, no lugar da sinopse da edição brasileira tem Stephen King aprovando o livro. Se você não sabe quem é, favor procurar o Google mais próximo e se atualizar já. No fim, Battle Royale é o que há, e ninguém vai substituir sua marca deixada no mundo.

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 10 de novembro de 2014~

[KOKYO] A Pequena Sereia (1975)



 A Pequena Sereia (1975)

Mundo cruel! Esqueça a felicidade, a esperança, o amor. O que temos aqui é a desilusão, a perda, a tragédia. E, acima de tudo, a lição de que a vida não é do jeito que queremos que ela seja. Uma mudança radical pode ser fatal, ir em busca dos sonhos nem sempre é o melhor caminho, porém, se não formos, como saberemos se conseguiríamos ou não?

A animação japonesa A Pequena Sereia (ou Anderusen Dowa Ningyo Hime), de 1975, da Toei Animation, conta a história da sereia Marina, que deixa de lado toda a sua família e seu amigo golfinho Fritz para se tornar humana através de um pacto com a bruxa apenas para ir atrás do seu querido príncipe, que ela havia salvado quando seu barco afundou. Em troca, Marina precisa se casar com o príncipe para não morrer, porém as coisas não saem como esperado. O anime ficou conhecido por se assemelhar mais ao conto original, diferente do que a Disney fez 14 anos depois.

O início e o fim do longa são em live-action, mostrando a Dinamarca, local onde o escritor Hans Christian Andersen, criador de A Pequena Sereia, nasceu. Não que sejam cenas necessárias, mas também não atrapalham, pelo contrário, trazem um "diferencial" ao longa. De resto, o longa é animado.

Cativante em sua duração de pouco mais de uma hora, a história de Marina  mostra as consequências de um amor incompreendido. Com traços leves e adoráveis, uma trilha agradável e personagens carismáticos, acompanhamos passo a passo a vida de Marina, e por ser curto, traz aquela sensação de ânsia e aflição pra que dê tudo certo, mesmo quando tudo está dando errado.

Uma pequena observação: É incrível como a inocência e o amor são trabalhados nesse longa, cada momento é apreciador. E tem o fato das sereias estarem nuas, apesar de não aparecer nada, já que os longos cabelos são estrategicamente posicionados para isso, coisa que outras versões não fizeram (em vez disso decidiram colocar conchas no lugar). Não importa, isso não tira a inocência construída na história, aqui vemos o mundo através de uma doce e encantadora sereia de 14 anos que virou humana para ir atrás de seu amor, deixando para trás toda sua vida de realeza, sua família e seus amigos, resultando num desfecho arrasador que não tenho palavras adequadas para descrever.

Nota: 10/10

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 21 de outubro de 2014~

[KOKYO] Batman - A Máscara da Morte (hq)



Batman - A Máscara da Morte

O mais novo mangá do Batman chegou esse ano ao Brasil, dessa vez com a história "A Máscara da Morte", que se divide em momentos no presente e no passado, mostrando uma investigação do Batman em busca de um assassino que arranca a face das pessoas e flashbacks retornando ao passado de Bruce antes de se tornar o Batman, durante o período em que ele estava no Japão treinando.

A história se utiliza bastante da cultura japonesa, temos diversas referências, como a criatura Oni, uma espécie de demônio-ogro-humanóide. A história também se utiliza livremente do estilo japonês de fazer mangá, mostrando um Bruce adaptável sem parecer forçado e inserindo elementos sobrenaturais.

Na história há máscaras amaldiçoadas que fazem as pessoas que as usarem se tornarem assassinas. Essas pessoas, possivelmente controladas pelos espíritos, arrancam os rostos das vítimas. Dessas máscaras vem a que dá nome a história, uma máscara muito semelhante ao que Batman usa, toda escura, com orelhas pontudas e um aspecto sombrio e fantasmagórico. Essa máscara assombra Batman vez ou outra, como um verdadeiro fantasma que não pode ser derrotado.

Não espere uma história grandiosa, com muita pancadaria e segredos que viajam para muito além do esperado. Aqui temos uma história simples, sem muitas atrações, apenas para entreter e trazer uma nova visão sobre o Batman e acrescentar mais conteúdo em sua história.

O escritor e desenhista do mangá se chama Yoshinori Natsume, famoso por sua obra Togari. O mangá foi feito exclusivamente para os leitores ocidentais, mas acabou sendo lançado futuramente no oriente também. O objetivo foi mostrar uma novidade para os fãs de Batman. Por se passar no Japão, nada melhor que o estilo mangá.

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 20 de outubro de 2014~

[KOKYO] Nerd Revoltado dos Videogames - O Filme



Nerd Revoltado dos Videogames - O Filme

Seguindo o estilo utilizado na análise do documentário sobre videogames, qui também sigo uma mistura de comentário com análise. Bom proveito.

"Nerd Revoltado dos Videogames - O Filme" é um filme (dã) baseado numa famosa websérie sobre reviews de jogos, composto também por histórias que integram alguns episódios. A websérie é bastante elogiada e conquistou fãs por todo o mundo. Certo dia tiveram a ideia de fazer um filme. Pense bem: Um filme baseado numa websérie de sucesso sobre análises de jogos e histórias de fundo pra ligar os episódios. Tem como dar errado? Tem.

Primeiramente, deixo claro que o filme foi feito pra fã, então se você não é fã ou não conhece o trabalho do Nerd, não vai entender mais a fundo sua essência, mas vai entender a história do filme... em parte. Outra coisa: Um lado polêmico do Nerd são seus xingamentos e suas comparações, então deixo avisado que não é para qualquer um, ainda mais que o filme. E o filme ainda mexe levemente com religião. Dito isso, vamos prosseguir.

De início temos uma abertura especial mostrando a fama do Nerd Revoltado na internet, com vários vídeos de vários fãs. A história do filme é interligada com a da websérie (vide episódio 100, embora o filme pareça ignorar). A segunda hora já começa a viajar e cada vez mais viaja até chegar ao exagero, que também está presente em alguns episódios da websérie. E o problema começa por aí.

Basicamente o Nerd parte numa viagem (com seu amigo, que também tem uma websérie, e uma garota que tá lançando o jogo ET 2) em busca dos cartuchos do ET original de Atari enterrados no deserto. Porém, chegando lá, eles acabam chamando a atenção do exército, que querem acabar com eles a qualquer custo (literalmente). A partir daí, as coisas começam a ficar cada vez mais estranhas, com direito a Área 51, possível existência de alien, segredos dentro do jogo ET, perseguições, entre outros. Chega a ser difícil escrever sem dar spoilers, o que estou evitando.

Mas o que deu de tão errado assim? A começar pela duração. O filme não se aguenta nas suas duas horas, se tornando cansativo em poucos minutos. Mesmo quando surgem situações inesperadas, dando um ar de novidade, é sempre mais do mesmo. Não há um proveito mais a fundo dos temas, apenas exageros atrás de exageros. Outro fator é a falta de análises, assim como no seriado, mas isso era meio óbvio de que não teria, geralmente séries de ambientes fechados, quando ganham um filme, se torna uma aventura em ambiente aberto, fugindo do tema inicial. Não é exclusividade do Nerd.

E o que tem de bom no filme? Não preciso ir longe, é um filme do Nerd, a essência do personagem continua firme, tem referências a série, os efeitos são bons de se ver mesmo sendo primários, a trama é boa, etc.

Temos que levar em conta os problemas de produção, que atrapalharam bastante o filme. Mas só o fato de ter sido finalizado, mostra que conseguiram, de algum jeito, fazer algo, e nesse caso é um tanto decente, embora isso não signifique que seja bom. É aquilo: Não é bom, mas também não é muito ruim.

Recomendo por curiosidade apenas aos fãs, é um filme com potencial desperdiçado. Quem não é fã ou não conhece o Nerd é menos provável que goste e ache uma porcaria, até por não entender tudo o que é mostrado.

Prefiro o Nerd do seriado mesmo, acompanho todos os episódios e sinto falta da época em que os episódios saíam com mais frequência. No fim, o filme pode ter sido fraco, mas tem seus méritos. Apoio um segundo filme se tiverem uma ideia melhor, desde que não repitam o erro do primeiro com revelações e reviravoltas arriscadas que não surpreendem o público apenas para inserir conteúdo desnecessário.

Nota: 4/10

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 15 de outubro de 2014~

[KOKYO] Videogames - O Filme



Videogames - O Filme

Essa é uma crítica que mistura comentário e análise de forma mais descontraída, mas acho que condiz com a situação do que foi visto e relatado aqui (quando lerem, entenderão). Bom proveito.

Por onde começar? 'Video Games - The Movie' É bom. Poderia ser melhor mas é bom. Tem um nome tão definitivo que você já vê pensando "esse não vai ser apenas um documentário qualquer, esse vai ser o documentário". Como eu estava enganado...

O documentário começa com um minuto de rápidas cenas de jogos antigos dividindo a tela, depois temos uma introdução sobre a origem dos videogames e vem uma abertura empolgante ao som de Don't Stop Me Now, do Queen, enquanto passa cenas de jogos. É incrível.

Nos primeiros minutos, o documentário apresenta um visual atrativo e não se prende apenas a pessoas falando, além de imagens e vídeos. Há momentos de áudio com textos interativos, o que é ótimo pra trazer um diferencial e chamar a atenção. Nesse quesito acertaram em cheio.

A primeira parte fala sobre a origem e a evolução do videogame, citando grandes nomes e perguntando as pessoas quem elas achavam que era o pai do videogame. Por um lado é curioso, saber o que as pessoas acham e tal, por outro um tanto desnecessário, faz parecer aquelas matérias de jornais descontraídas (não que não seja bom, mas não me pareceu adequado aqui). Embora tenha faltado informações, essa parte  resume o tema e traz curiosidades e opiniões para aumentar o conhecimento no assunto.

Depois de terminado esse bloco, entramos no quesito de evolução gráfica, onde o documentário cita a queda e ascensão do ramo, como o jogo ET arruinou tudo, como Super Mario Bros revolucionou os jogos, etc. Tem um momento também que falam sobre a polêmica dos games, que foram acusados de incentivar a violência, mas não entram muito no assunto, é só uma citação. Falando em citação, esse é um ponto crucial, que falarei mais pra frente.

Pessoas importantes no universo dos games também contribuem com opiniões e histórias durante o documentário, seja da Nintendo, da Sony, da Microsoft, etc, o que melhora e dá mais crédito ao que está sendo mostrado. Confesso que não esperava ver alguns deles. Aqui vislumbramos o potencial que o documentário poderia ter.

Um problema que o documentário sofre é sair do lugar mas voltar atrás o tempo todo em algo que beira a chatice: falar bem dos games. Isso ocupa longos minutos aqui e ali, minutos esses que poderiam ser usados para falar de outros assuntos no mundo dos videogames. Outro problema é a falta de conteúdo em determinados momentos, geralmente fazendo uma citação rápida, como falei antes, ou simplesmente mostrando em imagens ou vídeos enquanto o narrador ou o entrevistador fala. Ou seja, se a pessoa que estiver vendo não souber do assunto, vai ver a imagem como se fosse qualquer outra imagem pra ilustrar a paisagem, mas em algumas ocasiões essa tal imagem traz um conteúdo importante que infelizmente acaba passando despercebido, às vezes importante até demais, que simplesmente é ignorado.

De qualquer forma, tá aí um documentário pros gamers. Senti que funcionaria melhor como um seriado, como A Era do Videogame fez, do Discovery Channel (quem sabe eu fale aqui futuramente sobre ele?). Ficou muita coisa resumida, e a divisão de conteúdos não é nem um pouco agradável, contando do início até os dias atuais, depois voltando pro início e novamente avançando até os dias atuais, mas também contando um momento da história, depois um anterior, depois um posterior mas posterior ao anterior contado, e por aí vai. É um vai e vem na história que poderia ser muito bem evitado. Até entendo a divisão por temas, e isso seria interessante se bem utilizado, mas nem isso acontece. Destaque mesmo pra variedade de entrevistados, pra dinâmica envolvente, pro visual e pra trilha sonora que tenta dar uma animada. Nessa parte a equipe responsável pelo documentário está de parabéns, só faltou mesmo conteúdo. Gostaria que fosse feito uma continuação abordando o que foi deixado de fora, ou que até mesmo esse documentário virasse uma série.

Nota: 5/10

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 14 de outubro de 2014~

[KOKYO] Gantz - Perfect Answer



Gantz - Perfect Answer

Atenção: Tudo o que você precisava saber sobre Gantz já foi dito na análise do primeiro filme, então, caso não tenha lido, leia antes de ler esse. Melhor, leia e veja o filme antes de ler e ver esse, já que há fortes spoilers do final do primeiro (é uma continuação direta, tanto que o primeiro termina com um claro “continua” na tela). Explicado isso, vamos prosseguir.

De início, o filme recapitula todos os acontecimentos do primeiro filme e ainda repete a cena que ocorre durante os créditos. Depois de relembrado, é hora do filme começar, 5 meses após o final do primeiro. Somos apresentados a Ayukawa Eriko (interpretada por Ayumi Ito), que recebe uma pequena esfera negra semelhante ao Gantz. A esfera a manda matar certas pessoas, em busca de quatro chaves. Enquanto isso, o policial/detetive apresentado na cena durante os créditos do primeiro filme, começa a investigar misteriosos acontecimentos e descobre que há algo maior por trás de tudo. E enquanto isso também se desenrola, Kurono Kei, os sobreviventes e mais alguns personagens novos continuam sua missão de conseguir 100 pontos. Kurono tem o objetivo de trazer todos os que morreram de volta a vida, e os outros meio que acabam ‘concordando’ com ele. Durante o filme acompanhamos a garota matando quem Gantz manda, o detetive querendo saber o que é Gantz e se existe mesmo uma tal sala com uma esfera negra e Kurono e sua equipe matando aliens e... Não, não é bem assim. E aí entra o ponto da história: Gantz está com problemas. Logo na primeira missão, os personagens são mandados para dentro de um trem, e Gantz está tendo dificuldade de manter eles invisíveis. O que se segue é um massacre, com muita ação e violência.

O segundo filme, que tem o objetivo de responder a todas as perguntas, acaba não respondendo quase nada, mas acrescenta conteúdo para por um fim aquilo tudo, e como conseguem, dá para deixar passar, mesmo que a resposta não seja satisfatória. Como disse na análise do primeiro filme, é aquilo e pronto, as coisas 'acontecem e acontecem'. Obviamente ele explica quem é a garota que tem uma miniatura do Gantz, quem são os personagens misteriosos, quem são os aliens e também quem é o tal Kato que voltou a vida, já que Gantz afirma que ele está morto. Enquanto o primeiro filme possui menos de duras horas, o segundo chega a quase duas horas e meia.

O filme é como uma longa cena de ação, dividida em momentos. Após a desastrosa missão, com Gantz apresentando falhas, ele simplesmente dá pane e manda uma última missão, que se segue até o fim do filme. A vítima dessa vez é alguém ‘importante’, o que leva a divisão da equipe e resulta numa perseguição mortal, onde, enquanto uns não querem de jeito nenhum matar essa pessoa, outras não tão nem aí. A recompensa de Gantz são todos os pontos dele.

Mesmo com uma duração maior, Gantz 2 não apresenta com satisfação os novos personagens, independente deles serem importantes ou não. A misteriosa garota e o passado dos misteriosos personagens são apenas citados, mas tudo é aceitado de forma tão natural que soa forçado (sinta-se a vontade para dizer o que eu disse anteriormente: "é aquilo e pronto, 'aconteceu, aconteceu'"). Além, o detetive que está investigando o caso, mesmo com seus momentos, não é relevante para a trama. Por ser um bom personagem, acaba ganhando certa relevância para quem assiste, mas para a história em si, foi só um personagem de uma subtrama para mostrar outras coisas além das cenas de ação e do cotidiano de Kurono Kei, Tae Kojima e o irmão de Kato, que tem uma participação maior que no primeiro filme.

Nos quesitos de efeitos, atuações e trilha sonora, continuam a mesma coisa que o anterior. A trilha é aceitável e novamente tem momentos com o som natural, os efeitos são agradáveis e as atuações tem umas boas e outras ruins ou medianas, não há muita diferença nem há evolução ou involução. O que vale citar em relação aos efeitos é: Todo um cuidado foi tomado para que nada parecesse tosco. Não que o primeiro não teve cenas que poderiam ter ficado 'zoadas', pelo contrário, teve mais que o segundo, porém o segundo teve toda uma cena que não ficaria muito bom com atores reais, que envolve correr em alta velocidade e dar pulos imensos. Mas conseguiram fazer algo na média.

Por mais que as cenas de ação sejam tão boas quanto as do primeiro filme, algumas cenas que duram mais que o necessário e a duração do filme como um todo pode se tornar um tanto cansativo. Não a ponto de querer pular a cena, mas com aquela sensação de que poderia ter sido menor. E sem dúvida a cena que mais sofre com isso é a posterior a última missão, a cena decisiva, que se divide entre momentos conturbados e monótonos.

Gantz – Perfect Answer não dá a resposta perfeita e nem supera seu antecessor, mas ainda assim é tão bom quanto. O filme foi bastante arriscado, já que deixaram a história do mangá de lado, buscando apenas alguns personagens e elementos, para dar um fim a tudo. E conseguiram. Gostaria que houvesse um terceiro filme, e não falo do paralelo e não muito bem recebido Another Gantz, mas de uma continuação mesmo. Mas se tivesse, o estilo seria completamente diferente, talvez não rendesse e poderia desagradar dependendo de como seguissem com a história. De qualquer forma, esse segundo filme encerrou o que começou muito antes do primeiro filme. Destaque para a cena do trem.

Nota: 9/10

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 8 de setembro de 2014~

[KOKYO] Gantz (live-action)



Gantz (live-action)

Sucesso absoluto, Gantz é um mangá de Hiroya Oku que conta a história de pessoas que supostamente morrem e enfrentam aliens a pedido de uma esfera negra localizada dentro de uma sala, isso é, num modo geral. Uns consideram uma obra vulgar e gratuita, outros consideram uma obra que usa esse conteúdo numa história de qualidade. Adaptado primeiramente para anime, dividido em duas temporadas, mostrou um final a história, já que o mangá ainda estava sendo publicado. O mesmo acontece com os filmes, mas aqui vou falar do primeiro.

Descartando todo o lance de nudez e associados, resumindo os personagens, alterando o conteúdo de alguns elementos, mas mantendo parte da violência e certa fidelidade no essencial, o live-action também dividiu opiniões. Muitos não gostam das adaptações com atores reais baseadas em mangás, porém Gantz foi um dos que mudaram a opinião de algumas dessas pessoas. Não li os mangás e não entrarei muito em quesito de comparação com o anime para não haver polêmica, então só citarei uma vez ou outra. Explicado e deixado isso de lado, vamos ao filme.

O filme já começa na cena onde ocorre o acidente dos personagens principais. Kurono Kei (interpretado por Kazunari Ninomiya), está na estação de trem quando um bêbado cai nos trilhos. Masaro Kato (interpretado por Kenichi Matsuyama), um amigo que ele não via a tempo, decide ajudar. Kato, junto com as pessoas no local, salvam o bêbado, porém Kato ainda está nos trilhos e o trem está vindo. É nesse momento que Kei, que havia ficado na sua, tenta ajudar, mas acaba sendo puxado para os trilhos e o trem os atinge. Os dois vão parar numa estranha sala com uma misteriosa esfera negra e algumas outras pessoas. Outra personagem que vai parar lá é Kei Mishimoto (interpretada por Natsuna Watanabe), que se suicidou cortando os pulsos e faz laços inicialmente com Kato. A esfera negra começa a tocar uma música estranha e diz que as vidas daquelas pessoas se foram e Gantz, a esfera, usaria como bem entendesse, então dá a missão de matarem um alien. Inicialmente, ninguém consegue acreditar no que está acontecendo, acham que é uma brincadeira, então é nesse momento que as coisas começam a ficar sérias.112648_s5

Outros personagens vão sendo apresentados durante o filme, como a garota apaixonada por Kurono e outros ‘participantes’ de Gantz, inclusive um que parece, digamos, "saber demais". No filme, a quantidade de personagens foi reduzida em relação ao mangá ou anime, dando tempo de apresentar os principais e de sabermos como são parte dos secundários.

A história é essa: Pessoas que supostamente morrem vão parar numa sala e são mandadas para as ruas para enfrentarem aliens. Ninguém pode vê-los, mas os estragos causados acontecem de verdade. O tempo é de 20 minutos para cada missão e, ao término delas, o ganhador recebe pontos, que explicarei daqui a pouco. Durante o filme, eles tentam viver suas vidas e buscam sobreviver ao Gantz. Não precisa de muita explicação, é aquilo e pronto. Aconteceu, aconteceu. E nisso o filme acerta, já que estamos vendo a história pelo ponto de vista de Kurono Kei, e ele mal sabe o que aconteceu com ele, imagina saber o que é o Gantz. Ou seja, vamos descobrindo com os personagens.

Para matar os aliens, os personagens contam com um uniforme, que dá força e amortece impactos, e uma arma avançada, que explode tudo o que for acertado por sua ‘frequência’. Também há outras, mas isso fica mais para frente do filme. As armas e o uniforme ficam dentro de uma maleta, que sai de dentro de Gantz, que, por sua vez, se abre antes das missões e revela um homem adormecido dentro da esfera, mas ninguém sabe ao certo o que esse homem está fazendo lá, a teoria é de que ele a mantém viva. Gantz, além de passar informações e dar armas, também oferece duas opções quando o ‘participante’ chega a 100 pontos: Sair daquele lugar e ter sua memória apagada ou reviver alguém que já morreu.

Sobre as cenas, são bem feitas. Há um bom equilíbrio tanto nas cenas de ação quanto nas do cotidiano. Não há muito o que se aprofundar, é basicamente isso, um padrão durante todo o filme, evoluindo conforme a história prossegue. Sua duração, mesmo com quase duas horas, dá a impressão de passar depressa. As cenas de ação são completas, só terminam quando o alien é morto, o que resulta em poucas cenas de ação porém longas. Acredite: Quando terminar, você irá querer mais.

No quesito de efeitos, é agradável, cgi bem feito. Já as atuações, cada um tem sua avaliação, o cinema japonês é bastante criticado por más atuações, e Gantz não foge disso. A maioria das reclamações vem com Kazunari Ninomiya, que faz Kurono Kei. Alguns alegam que ele não consegue transmitir emoção. Eu discordo, embora em alguns, e apenas alguns, momentos ache bem regular mesmo. Continuando, no quesito de trilha sonora, não vou comentar muito, mas ‘dá pro gasto’. É legal citar que tem momentos do filmes silenciosos, apenas com o som ambiente.

Do início ao fim, Gantz mantém um bom clima, alternando entre ação, romance e drama, e com certeza agradará tanto aos fãs de mente mais aberta quanto os não-fãs. É um filme violento, claro, mas acima de tudo com uma interessante história e acontecimentos inesperados, além da grande questão: “O que é o Gantz?”. Destaque para a cena das estátuas vivas.

Nota: 9/10

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 28 de agosto de 2014~

[KOKYO] A Man Who Was Superman



A Man Who Was Superman

Existem muitos filmes baseado em histórias reais, disso ninguém duvida. Dentre vários filmes, alguns conseguem chamar a atenção, seja pela história, seja pela capa, seja pelo trailer, seja pelo elenco. Dessa vez trago a vocês um filme com uma bela e emocionante história, de um homem que era o Superman.

Lançado em 2008, com direção de Jeong Yoon-chul e roteiro de Kim Ba-da, Joon Jin-ho e Jeong Yoon-chul, A Man Who Was Superman, filme sul-coreano, também chamado de If I Were Superman ou A Man Once a Superman por alguns, apesar de ser baseado numa história real, é quase impossível não lembrar da história de Dom Quixote, famoso personagem da literatura espanhola. E, claro, da história do Superman, um dos heróis mais famosos dos quadrinhos americanos.

Na trama, Song Soo-jung é uma produtora que trabalha numa pequena empresa fazendo filmagens de histórias humanas. Num dia qualquer, ela sai para fazer uma matéria sobre um leão, porém no meio do caminho é surpreendida por um assaltante e ela decide ir atrás dele, porém quase é atropelada, mas acaba sendo salva por um homem. Esse homem é o Superman, defensor da humanidade, salvador do mundo. A partir daí ela vê nele uma ótima matéria e começa a relatar seus dias.

Com um jeito inocente de ver o mundo, “Superman” diz que não consegue usar seus poderes sobre humanos porque “caras maus” puseram kriptonita em seu cérebro. Didivido entre momentos de humor e drama vemos ambos os lados da vida: enquanto a produtora o filma e tenta entende-lo melhor, ele simplesmente tenta ser feliz e fazer o bem. Um fato curioso é que o filme tenta captar o que ele vê, ou seja, já sabemos que o tal Superman não é normal, ele tem um problema mental, e ele acaba vendo coisas que não existem, ou melhor, vê tudo de um ângulo diferente. Podemos chamar de esquizofrenia.

Durante o filme há algumas descobertas importantes, como um que ocorre depois de certo tempo de filme, onde a mulher descobre que ele tem uma bala presa na cabeça devido a um acontecimento passado. Em geral é um filme recomendado para quem gosta de filmes do gênero, numa comédia dramática que segue o estilo “se divirta o quanto puder no início para se emocionar no final”.

O desfecho posso dizer que é uma das coisas mais corajosas que um ser humano pode fazer, levando em conta o estado da situação e o que acontece ao redor. São as simples coisas feitas de coração que ficará marcado na história, e esse “Superman coreano” merece ser lembrado pelo que fez. Apesar de nos divertirmos com as cenas humoradas dele, sabemos que no fundo há algo muito triste. Deixo uma pergunta no ar: “de que adiante viver se você não puder ser o que quer ser?”.

Nota: 9/10

~Crítica publicada originalmente no portal Kokyo em 7 de setembro de 2012~

[KOKYO] Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar



Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar

Ponyo é um divertido filme infantil escrito pelo famoso Hayao Miyazaki, o mesmo que dirigiu A Viagem de Chihiro, O Castelo Animado, etc. O filme foi distribuído pelo Studio Ghibli, um dos mais famosos do Japão, em 2008, mas só chegou ao Brasil em 2010 (pelo menos chegou). O filme começou a ser produzido em 2006 e teve uma leve influência do clássico “A Pequena Sereia”, além de uma antiga lenda japonesa.

Indicado a vários prêmios e vencedor de alguns, o filme acabou sendo bastante elogiado pelas críticas, geralmente com notas beirando 8 e 9 (numa escala de 0 a 10). Foi considerado como um filme belo, inocente, infantil, encantador, maravilhoso, entre outros. O trabalho foi tão grande para fazer um filme de qualidade que Miyazaki deu o melhor de si, se focou completamente na obra. No final foram usadas cerca de 170000 imagens para a animação, tudo para que a animação ficasse o mais detalhado possível.

A história é sobre um garotinho de cinco anos chamado Sosuke que encontra Ponyo, uma ‘peixinha-dourada’, que havia fugido de seu lar. Ponyo deseja se tornar humana, ficando com Sosuke e se tornando grandes amigos. Mas nem tudo é como se quer, mesmo para pequenas crianças. Um tempo depois o pai de Ponyo decide buscá-la e levá-la a qualquer custo para casa, mas ela só quer ficar com seu grande amigo. E assim a história vai se passando, sem muitas surpresas mas mesmo assim com muita empolgação, dividindo climas divertidos e tranquilos com climas mais sérios.

É meio difícil dizer exatamente o que se ocorre nesse filme sem dar spoilers, já que tudo é transmitido de um jeito cativante, um jeito emocionante, um jeito tão inocente, que a história em si é praticamente a amizade dos dois sobrevivendo as surpresas da vida. Pura fantasia, boa aventura, bela animação, são algumas sinceras qualidades que posso fazer.

Ponyo (no original “Gake no Eu no”, é um filme infantil que serve para todas as idades, seja criança, seja adolescente, seja jovem, seja adulto, seja idoso. Seu jeito simples chamou a atenção e essa obra merece ser conferida por todos. A amizade entre os dois é algo difícil de se ver hoje em dia, algo que deveria existir mais. Aproveitando a data de hoje, é um ótimo filme para esse dia das crianças.

Nota: 9/10

~Crítica originalmente publicada em 12 de outubro de 2012 no portal Kokyo~

[KOKYO] Tsunami - A Fúria do Oceano



Tsunami - A Fúria do Oceano

[...]Todos nós gostamos de filmes-catástrofes, de ver aquela destruição e tal. Porém Tidal Wave (no Brasil traduzido como “Tsunami – A Fúria do Oceano”) é muito mais do que você pensa.

Lançado em 2009, Tidal Wave é uma produção sul-coreana, com duração de 106 minutos aproximadamente. O filme foi anunciado como o primeiro filme disastre sul-coreano. É dirigido por Yoon Je-kyoon e possui no elenco nomes como Sol Kyung-gu, Ha Ji-won, Lee Min-ki, Kang Ye-won, Park Joong-hoon, Uhm Jung-hwa e Kim In-kwon. Vale lembrar que o filme foi levemente ligado a tsunami que ocorreu na Índia em 2004.

O filme nos conta a história de várias pessoas, cada uma vivendo suas vidas, mas durante o desenrolar da história, vemos ligações entre elas. A história se passa em Haeundae, localizada no sudeste da península coreana, onde cerca de um milhão de turistas vão às praias todos os anos. 5 anos depois da tsunami de 2004, surge um novo alerta, dessa vez de um mega tsunami que pode ultrapassar 50 metros de altura e devastar toda a região.

Com essa espetacular premissa, o filme acabou ganhando fama e ficou dividido entre o público. Uns gostaram, outros odiaram. O grande motivo disso foi a classificação indefinida do gênero. Prometendo ser um filme-catástrofe (ou filme desastre), acabou que teve mais comédia e drama que a destruição em si. Posso dizer que Tidal Wave me conquistou e arrisco a falar que é meu filme-catástrofe preferido em termos gerais.

Não há exatamente um personagem principal, todos têm seus papeis fundamentais para a história, seja grande ou pequeno. Claro que alguns se destacam mais, porém esse é um daqueles filmes que não sabemos ao certo o que vai acontecer na cena seguinte, já que tudo parece fluir sem pressão, dividindo momentos alegres, tristes, românticos, engraçados, tensos e reflexivos.

No filme temos histórias diversas. Man-sik não consegue viver direito pensando que a culpa do pai de Yeon-hee ter morrido foi dele. Dong-Choon, vizinho de Man-sik, se envolve em caso de polícia. A mãe dele vive preocupada com a situação. Kim Hwi, geólogo, tenta reconciliar com sua ex-mulher Yoo-jin, que tem uma filha que não sabe que ele é seu verdadeiro pai. Hee-mi, estudante, cai no mar e é salvo por Hyeong-sik, irmão mais novo de Man-sik, onde acaba fazendo trapalhada. Há algumas outras coisas, mas tudo forma uma excelente história, cheio de reviravoltas. Enquanto todo mundo tem seus problemas, Hwi é quem percebe que há algo errado na água. É aí que, aos poucos, a história vai ficando cada vez mais séria e o humor vai sumindo.

Se você espera ver grandes cenas de destruição, aviso que nesse caso é especial, pois apesar de demorar muito pra tragédia acontecer e mesmo não durando tanto como esperado, cada momento é valioso. É como se algo nos prendesse até o fim pra saber quem morre e quem vive. E, como todos esses filmes do gênero, há sempre algum exagero ou alguma “mentira” em alguma cena, mas nada que atrapalhe.

A tsunami só “ataca” lá ‘pras’ últimas meia-hora de filme. A partir daí, dê descanso ao humor e trapalhadas românticas e dê passagem para toda a dramatização, desespero e choro. Mas como fazer algo que chame a atenção enquanto isso? O que mostrar em mais de uma hora de filme? Em vez de ficar toda hora mostrando estudos de como evitar ou enrolações chatas, comum em muitos filmes americanos do gênero, o filme mostram as histórias das pessoas e como vão se conectando umas as outras, como já disse anteriormente. Até tem essas cenas de estudo e etc, mas não é do mesmo jeito. A diferença é perceptível de primeira.

As atuações são muito boas, e cada ator/atriz faz seu papel muito bem. A trilha sonora é muito bem utilizada nos momentos certos e aumenta aquela emoção que os filmes nos proporcionam. Os efeitos especiais, feito com ajuda de empresa americana, é muito bem realizada, chegando a ter um tom realista em muitas partes. Apesar de alguns furos de roteiro quase imperceptíveis, o filme irá conseguir agradar muita gente, trazendo um filme-catástrofe alternativo. Recomendado. É um filme com uma boa lição de vida, mostrando que independente dos problemas que temos (familiares ou não), sempre vai haver algo que tentará fazer com que esses problemas sejam resolvidos. Termino essa crítica com uma frase bastante popular: “dizem que só damos valor a algo ou alguém quando o(a) perdemos, trazendo um grande arrependimento”. Fica a observação.

Nota: 8/10

~Crítica originalmente publicada no portal Kokyo em 2 de setembro de 2012~ [primeira crítica]

SOBRE MIM

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Formado em jornalismo e futuro escritor de livros. Criei um blog em 2008 por curiosidade para reunir o que achava de melhor na internet. Em 2010 criei outro blog para críticas de filmes e afins. Buscando apresentar uma identidade mais pessoal, em 2014 reformulei ambos. Hoje servem mais como meios de divulgação para matérias que publico em outros sites.