quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Deus Não Está Morto



Potencial desperdiçado, forçações e possíveis estereótipos fazem do filme algo mediano, mas felizmente há seus valores.

Esse é um daqueles filmes que gera fácil uma grande crítica, mas vou fazer apenas alguns [grandes] comentários. Primeiro devo ressaltar algo que o filme meio que engana quem quer assistir com certo pensamento: O garoto não tenta exatamente provar a existência de Deus, e sim dizer que seu professor está errado ao dizer que Deus está morto. Pode soar confuso para alguns, mas não é.

Vou resumir tudo em quatro pontos:

1 - Filme de cristão pra cristão. ~ Diferente do esperado, ele não acolhe o lado ateu ou de outras religiões para assim começar o debate. O tempo todo o foco é cristão. Mas ora, por parte, é exatamente isso, é um filme gospel e filmes gospel tem foco cristão, só que por outra, erra em si mesmo ao tratar de um tema desse nível sem se aprofundar. Explicarei mais no ponto a seguir.

2 - Deus está morto! Não, Deus não está morto! Deus está vivo! ~ Ateu ou não, a pessoa que se interessar por esse filme vai ser pelo mesmo motivo: O garoto cristão que é desafiado pelo seu professor ateu a provar a existência de Deus. Independente do resultado final, é de extrema importância fazer com que tais momentos sejam interessantes e com propostas válidas. Sim, o filme consegue manter o nível de interesse alto durante esses momentos, ou pelo menos, em parte deles. O garoto se utiliza de pensamentos dos próprios filósofos e cientistas que o professor tanto admira por serem gênios e ateus. Ótimo, isso torna tudo muito mais interessante. O garoto, ainda em fase de conhecimento, perdendo e o professor, já experiente no assunto, ganhando. Melhor ainda, curiosidade a mil. Se levarmos em consideração que o filme é sobre um garoto de pouca experiência que busca provas e um professor profissional no ramo que se utiliza de tudo o que já presenciou e conhece, dá pra entender o motivo do filme não entrar a fundo em alguns aspectos, dando respostas simples. Vi muitos reclamarem que os argumentos são ruins e fáceis de serem derrubados. Concordo em parte, tanto que o professor derruba fácil alguns argumentos, mas o garoto tenta dar a volta por cima contra-argumentando. A proposta, como disse, não é provar a existência de Deus, e sim dizer que Deus não está morto. O garoto não se utiliza de argumentos cristãos, e sim de gênios e filósofos, e apenas usa a Bíblia para comparar fatos. O grande ponto foi o fim do debate, que, apesar do momento intenso, acabou se aproveitando de outras situações, o que provavelmente anularia a si mesmo, mas a questão fica em aberto. Não acho que há uma ignorância de tudo o que foi construído, e sim uma forçação por parte do roteiro pra que tudo terminasse a favor do garoto. Mas pera, não terminou o filme.

3 - Estereótipos, preconceitos e clichês, entre a verdade e o exagero. ~ Como explicar a cena do cara que caça patos mas por ser cristão tá de boa? Cúmulo. Só pq uma pessoa é cristã não significa que ela possa fazer o que bem entender só pq acredita em Deus. E a do pastor que não consegue nunca ligar um carro pq misteriosamente qualquer carro que ele tenta não liga e só consegue resolver isso com fé? Esse nem prefiro comentar, perda de tempo precioso do filme. Agora o que muitos incomodaram foi com a garota muçulmana que desacreditava na religião de sua família e acreditava em Deus, mas da forma evangélica. Bom, não sei qual foi o objetivo do filme, pode ser tanto ofensivo quanto um modo de dizer que mesmo vc pertencendo a outra religião, vc pode mudar. E por fim temos o ateu arrogante. Nem todos são daquele jeito, mas o que percebi é que muita gente reclamou do filme mostrar os ateus daquele modo. Bom, existem sim muitos ateus como o professor, mas o estranho é o filme não mostrar ateu que respeite o pensamento do cristão. E tb tem o fato de mostrar todo cristão como alguém bonzinho. Sabemos que tem muita gente por aí que se diz cristã mas na verdade não é. Por último cito a reviravolta no final do filme, momento pós-debate, novos cristãos, show, etc. Apenas cito mesmo, pq fiquei em dúvida sobre opinar sobre... aquela cena. Forçado foi, e muito, muito mesmo, mas novamente fico naquela de que pode ser preconceito ou apenas tentaram mostrar que tudo pode acabar a qualquer hora.

4 - Histórias paralelas descartáveis. ~ O objetivo do filme não seria mostrar o garoto que foi desafio por seu professor a provar que Deus não está morto? Então pq um monte de outras histórias só pra mostrar algo com mensagens "bonitinhas" no final? Se essas histórias pelo menos fossem de qualidade, deixaria passar, mas entra em problemas como citado no ponto 2. De longe o melhor desses personagens é o amigo do pastor, que tem mais fé que o próprio pastor. Sempre descontraído e dizendo coisas como "Deus é bom o tempo todo. O tempo todo Deus é bom". O encontro entre essas histórias tb não são das melhores. Tirando a cena em que o pastor encontra o garoto e uma lá pro final do filme, o resto acontece de forma comercial. Não entendeu? Pros últimos minutos do filme, há uma cena em que alguns dos personagens se encontram (não que isso não acontecesse durante o filme, até pq acontece, mas to indo mais a fundo). E esse encontro é... não sei nem explicar. É como se tivessem preparado tudo pra um momento que mais parece uma propaganda. Se estou equivocado, no mínimo é uma cena forçada e clichê daqueles de nível 'só acontece em filmes'.

Não sei se esqueci de algo, mas concluo temporariamente minha avaliação sobre o filme. Não quis entrar em pontos comuns sobre atuações, trilha e tal pq achei todos esses quesitos tranquilos, normais, não me incomodou em nada. Apenas citei o roteiro, seus defeitos e suas qualidades.

O que achei do filme? Mais ou menos. Pelo menos tem umas frases legais.

Soube que vai ter continuação. Fico no aguardo, mas espero que dessa vez façam algo melhor. Sério, bota o garoto como alguém formado e experiente no assunto que é desafiado mais uma vez e assim surge um debate. Seria tudo o que esse filme prometeu e esqueceu de fazer.

Nota: 6/10 (embora esteja com dúvida da nota exata)

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SOBRE MIM

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Em 2008 criei um blog por experiência. Queria saber como era um blog. Inicialmente era apenas para reunir o que eu achava de legal pela internet. Dois anos depois, em 2010, criei meu blog com críticas de filmes, já que, embora eu não seja experiente nesse ramo, gosto de ver filmes, de entendê-los e tal. Em 2014 vieram as mudanças. O blog que reunia o melhor da internet virou um blog de matérias e histórias que eu mesmo escrevo. O blog que continha críticas de filmes, séries, curtas, shows, etc, agora são apenas filmes e séries devido a enorme demanda de conteúdo. Os modos de escrita também estão mudando para melhor. Fiquem ligados para novidades.