quarta-feira, 11 de março de 2015

O Que Aconteceu ao Homem Mais Rápido do Mundo? (hq)



Grande surpresa. Já considero uma das melhores hqs que li. Já tinha ouvido falar a um tempo mas não havia ainda dado uma chance. O que me chamou a atenção foi logo a capa, seguindo um estilo de jornal, com direito a matéria. Sim, a capa remete a uma versão simplificada de uma folha de jornal. Na matéria, é citada a tragédia ocorrida num acidente de trem, onde as pessoas foram transportadas para um local seguro num piscar de olhos. Alguns disseram ter visto uma pessoa transportando as outras numa velocidade tão rápida que os olhos não podiam acompanhar. Há outra matéria sobre a torre Prometheus, que faz parte da história.

Depois de uma rápida explicação sobre a editora original, Accent UK, e o autor da hq, Dave West, temos uma introdução exclusiva pra edição brasileira escrita pelo próprio Dave West. Ele conta sobre a hq, seus trabalhos e sua reação ao saber da proposta de lançar a hq no Brasil. Vale citar que a hq foi vencedora do prêmio Eagle em 2009.

A trama então tem início. Estamos na Grã-Bretanha, um cientista maluco anuncia que colocou uma enorme bomba em algum lugar e pede em troca uma grana alta. A polícia então descobre que a bomba está no Reino Unido, mais precisamente em Londres, e diz que está fazendo o possível pra desativa-la, mas não obtém sucesso. Agora falta menos de uma hora. As ruas estão um caos. Num bar, Bobby Doyle assiste aos acontecimentos pela tv, até que decide parar o tempo, pois ele sabe que é o único que pode fazer algo. Ele vai ao local e percebe que não pode desativar a bomba, então resta uma coisa: retirar as pessoas de lá. Daí em diante acompanhamos os passos de Bobby em busca de salvar a todos. Como esvaziar uma cidade com milhares de pessoas? Quanto tempo Bobby levaria pra concluir isso? Conseguiria Bobby abrir todas as portas em menos de uma hora? Aguentaria Bobby carregar todas as pessoas para um local seguro?

Duas coisas que necessitam serem citadas sobre Bobby e seus poderes são: 1) O tempo pra ele passa normalmente. Enquanto todos estão parados, ele continua envelhecendo. Mesmo que um longo tempo depois ele faça o tempo "voltar ao normal", ele continuará mais envelhecido, como se nada tivesse acontecido. 2) Bobby não consegue abrir portas quando o tempo está parado. O motivo disso é que tudo que está parado requer enorme força para "movimentar", então tudo que é mais pesado que ele se torna um problema. Apenas coisas leves ele pode fazer algo, embora não resolva muito com o tempo parado. No caso da porta, para abrir, ele necessita fazer o tempo "voltar ao normal", e consegue isso de forma rápida.

A narrativa se divide em diálogos entre personagens e narrações em terceira pessoa. Vemos Bobby refletindo sobre o que está fazendo e se indagando sobre a vida, enquanto observa as pessoas (e até tenta conversar com elas) e elabora meios de salvá-las. Na arte em preto e branco, traçada a lápis, temos Bobby mais "animado" que o restante dos elementos que compõem a cena, que são mais "rascunhados/apagados/sólidos". Isso funciona muito bem pra destacar Bobby, que está "vagando pelo tempo", enquanto todos estão parados. Caso toda a arte esteja num único estilo, é porque o tempo está "normal".

Não acho que deva considerar spoiler o fato de que Bobby começa a envelhecer durante a hq, até porque como disse antes, o tempo dele passa normal mesmo que o dos outros tenha parado. Quanto tempo se passa para ele, se são horas, dias, meses ou anos, é algo que deixarei para quem quiser ler descobrir. O final pode não ser uma grande surpresa, embora dê para imaginar alguns modos de como poderia ter acabado, mas é belo, dramático, marcante. Pra finalizar ainda há um epílogo.

Logo após o fim da história temos mais uma notícia jornalística, que se passa depois dos fatos narrados. Posteriormente, há um texto de Maurício Muniz, editor de quadrinhos da Gal Editora, que foi a editora que publicou a hq no Brasil. Ele detalha como foi a negociação pra publicar a hq no Brasil e seu amor por hqs. Ele também fala sobre o prelúdio da hq, oferecida por Dave West para publicar junto com a edição brasileira. Após, temos o prelúdio na íntegra.

O Minuto Mais Longo conta um dos casos em que Bobby parou o tempo quando algo deu errado, ainda em sua infância. Acontece que Bobby tava atrasado pra escola e deixou a porta de casa aberta ao voltar para buscar algo. Nesse meio tempo, o cachorro de Bobby fugiu e foi em direção a morte dada como certa, ele havia ido em direção a um ônibus em movimento. Desesperado, Bobby para o tempo e percebe que nada pode fazer, afinal, sua porta do quarto está trancada e pra destrancar ele precisa fazer o tempo "voltar ao normal", mas se fizer isso, seu cachorro morre.

Pra finalizar a edição brasileira, temos quatro artes exclusivas, sendo duas por desenhistas da Accent UK e duas por brasileiros envolvidos no projeto da hq no Brasil. Ao mais, no início da edição temos uma arte americana e ao final, antes das exclusivas, uma arte inglesa. Fora as artes, posteriormente há uma pequena nota sobre os artistas envolvidos na hq e, pra finalizar tudo, mais uma matéria de jornal.

Sem querer parecer repetitivo, mas como disse no início do texto, "O Que Aconteceu ao Homem Mais Rápido do Mundo?" foi uma grande surpresa pra mim e uma das melhores hqs que li. Para os amantes de hqs que procuram algo diferente, tá aí uma dica, digamos, obrigatória. Para os mais chatos que não se surpreendem fácil, digo que até dá pra achar falha no roteiro, mas é tudo tão belo e dramático que nem dá pra ligar pra isso. Não costumo falar sobre uma edição em si, apenas de sua história, mas dessa vez não deu pra não falar. Recomendo muito e fico no aguardo de um filme. Não custa sonhar.

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SOBRE MIM

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Formado em jornalismo e futuro escritor de livros. Criei um blog em 2008 por curiosidade para reunir o que achava de melhor na internet. Em 2010 criei outro blog para críticas de filmes e afins. Buscando apresentar uma identidade mais pessoal, em 2014 reformulei ambos. Hoje servem mais como meios de divulgação para matérias que publico em outros sites.