sábado, 13 de fevereiro de 2016

Deadpool

~Publicado originalmente em redes sociais~



Deadpool

O amado e odiado personagem dos quadrinhos que se metia em histórias escritas a base de misturas potentes de drogas elevado ao infinito finalmente ganhou um filme. Apesar do medo, muitos acabaram elogiando o longa, alguns até disseram ser o melhor ou dos melhores filmes de "super-herói" de todos. Exagero demais, eu sei. Mas então, o filme é bom? É. Muito bom mesmo? Não. Na verdade nem chega perto de ser toda essa maravilha grandiosa extraordinária que andam comentando por aí. Mas calma, o filme é muito divertido. Vamos por parte.

Antes de falar do filme, tenho que falar do material de divulgação. Primeiro veio aquele vídeo divertido que fez o filme acontecer, até aí tudo bem. As propagandas em imagens também foram ótimas. Mas meu ponto são os trailers. Não entendi quanta empolgação a internet ficou com eles. Pra mim são trailers chatos, ruins mesmo, o filme parecia uma bosta. No primeiro só tinha sacanagem e nada mais. No segundo só umas cenas genéricas de ação. Podem reclamar, mas Deadpool não é só isso. Ele é pura zoeira, mas não pura sacanagem. Minha expectativa diminuiu drasticamente e nem as boas notas conseguiram me empolgar, mas caramba, é Deadpool, ia ver de qualquer jeito. E fui. Cinema lotado, consegui pra sessão posterior, mas vi o filme. E aqui, sem mais enrolações, começo a falar do filme. Dessa vez considerei melhor dividir em tópicos.

- História: Aceitável. Não há segredos na simples história cinematográfica de Deadpool, um filme de origem com uma trama romântica envolvendo drama, ação e... "sacanagens". Wilson é o cara zoeiro que descobre ter câncer, acaba fazendo parte de um experimento cruel, vira o Deadpool e decide se vingar. Ponto.

- Personagens: São normais, nenhum realmente marcante, mas todos cumprem seus papéis. Os mutantes são ok (dos X-Men tem o Colossus e a outra de "nome maneiro"), o Deadpool é zoeiro demais e os vilões são o de menos.

- Humor: As piadas do Deadpool ocorrem durante todo o filme, desde a zoada cena de abertura até a divertida cena pós-créditos. São piadas tanto idiotas quanto de humor negro, mas nada tão agressivo. Pena que muitas são apenas piadas idiotas sobre pinto e bunda. Pois é. Besteirol americano ativado. O Deadpool também zoa todos, não perdoa ninguém, nem ele mesmo, nem a Fox, nem os X-Men.

- Ação: Tudo o que um filme de super-herói não costuma mostrar: Pessoas sendo estraçalhadas, decapitadas, esmagadas, etc. Tudo isso ao embalo de tanto tiroteio quanto lutas corporais.

- "Para maiores": O filme tem muitos xingamentos, muitos mesmo, o tempo todo. E de quebra ainda possui nudez, mas é bem pouco, já que a maior parte envolvendo algo a mais não aparece nada (como uma que ocorre ainda no começo).

- Referências: O que tem tanto quanto a zoeira do Deadpool? Referências, claro. São muitas, citadas durante as mais diversas piadinhas toscas. Referências a atores (inclusive do próprio Ryan e sua carreira [dentre elas os papéis esquecíveis em X-Men Origens Wolverine e Lanterna Verde]), a confusão da franquia X-Men, a Star Wars e muitas outras coisas, não só da cultura pop. Difícil lembrar agora de tudo.

- Quebra da quarta parede: Assim como nas hqs, Deadpool no filme também quebra a quarta parede. Vez ou outra ele olha pra tela no meio das cenas e conversa com o público, dizendo seus pensamentos e recomendações. Ele também sabe que está num filme.

A diversão é total, com ótimas cenas de ação e uma comédia que, apesar de sacana, consegue causar algumas risadas. A parte dramática também está presente e é boa, ocorrendo mais nos flashbacks. Falando em flashbacks, eles correm durante a primeira (e longa) cena do filme, que começa na rua e rola a perseguição de carros e o tiroteio. Nesse momento o filme faz pausas pra contar o passado do personagem. Pode parecer cansativo de primeira, mas conseguem equilibrar a comédia e o drama.

Apesar da boa diversão, senti bastante falta de algumas coisas presentes nas hqs que o filme deixou de lado, algumas que poderiam ter deixado o filme melhor:

- Vozes da mente: Os leitores de hqs do Deadpool sabem que o cara é doido e fala consigo mesmo, que por sua vez fala consigo mesmo (olha o nível). No filme não existe nada disso.

- Censura: Nas hqs Deadpool é censurado ao xingar e a nudez também não aparece (coisa bem normal nas hqs, até porque tanto adultos quanto crianças compram). Só que, mesmo não sendo tão frequente assim, Deadpool já chegou a brincar com essas censuras. No jogo, por exemplo, ele brinca com a tarja que censurou a parte de baixo dele quando ele foi no banheiro. Bem que podia ter brincadeiras com censura no filme, pelo menos no começo, só pra descontrair, mas não rolou.

- Palavreado: Nas hqs Deadpool fala besteira, mas não sai por aí falando sacanagens até não dar mais. No filme ele xinga e fica falando de pinto e bunda o tempo todo. Exagerado até demais.

- Quarta parede: Tudo bem que Deadpool fala conosco, mas senti que poderiam ter ido além. Nas hqs ele sabe que vive numa hq, mas todos pensam que ele é louco (o que não é mentira), já que pros personagens da hq aquilo é o mundo real. O filme podia adaptar isso, com o Deadpool falando que tava num filme perto dos outros e todos ficarem confusos com o que ele falou.

Claro que mudanças são inevitáveis, mas esses elementos me incomodaram. Deixei passar o fato do Deadpool não ser mercenário no filme porque é filme de vingança pessoal, então não faria sentido ele sair por aí matando por dinheiro. E como a história é boa... tá valendo.

Antes eu achava que Deadpool seria um filme de super-herói com besteirol americano, e depois de ver até que podemos considerar que é, mas em parte. Primeiro que ele não é um herói. Segundo que a gratuidade do besteirol varia com a situação presente na cena. Mesmo assim, e sem querer soar repetitivo, o filme diverte bastante em determinados momentos. É pura zoeira.

Depois da cena pós-créditos tem uma surpresa. Para os antenados em filmes, não há novidades, mas para o povão, muitos devem se surpreender.

Nota 8/10

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SOBRE MIM

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Formado em jornalismo e futuro escritor de livros. Criei um blog em 2008 por curiosidade para reunir o que achava de melhor na internet. Em 2010 criei outro blog para críticas de filmes e afins. Buscando apresentar uma identidade mais pessoal, em 2014 reformulei ambos. Hoje servem mais como meios de divulgação para matérias que publico em outros sites.